Sabe aquele pecado gostoso de cometer em público? Pois é. Um convite repentino de uma mente incessante e interessante me fez sentir vaidade. E é sempre através de palavras que eu gosto de me sentir bonita.
Vejam se fiz bonito: http://blogdesete.blogspot.com/
Claudinha, quando eu te vi pela primeira vez, eu sabia que aqueles cachinhos tinham potencial. Eu acredito em Claudinha.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
terça-feira, 21 de outubro de 2008
15 anos.
Sentou para descansar na calçada azul daquela rua sem fim. Se foi tudo tão cansativo até ali, duvidava se teria coragem de se olhar no espelho no quilômetro seguinte. O vento incógnito despenteava seus laços de menina. Ela tinha medo. Faz de conta que já era uma mulher azul de céu, faz de conta que carregava histórias de filhos na bolsa (que nada mais eram do que bonecas, até então). Faz de conta que sabia ninar, que sabia cantar, que era morena furta-cor. Faz de conta que não ligava pros olhares que furtava no corredor. Inventava aquela infância de ontem, prateada da lua que sonhou nos degraus da escada do universo. Ela era tudo de impossivel que a tinha construído. E nem sabia de tais impossibilidades. Amargava naquele peito pequeno coisas efêmeras e gigantes. Não tem a mínima idéia do que estar por vir naquela estrada de passos tão certos que a assustariam se fossem contados. Quer tanto fazer parte de uma tribo que se perde na sua identidade. E borra a boca de batom. E lembra que os olhos ficam mais leves sem rímel. Descalça os sapatos e sente mais uma vez o vento que a lembrava de estar viva. Já não sabia se fazia sol, se aquela era a luz da lua. Sabia que não tinha como voltar. Sabia que tinha de seguir. Mal sabia que nem 7 mil milhas seriam capazes de trazê-la de volta àquela calçada. Se soubesse da saudade que ia sentir, teria ficado mais tempo. Mas ela levanta e sua velocidade ingênua a guia pelo asfalto. Ela faz de conta que é adulta e esquece que é criança. Ela não se sabe mais. Ela muta e tudo muda pra ela. Não sabe lá de muita coisa. Em meio a todas as dúvidas, sua única certeza é a de que precisa correr. A de que precisa crescer. Ela precisava saber que estava chorando por dentro. Ela tem apenas 15 anos.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
T.endência P.ré M.egalomania
- Muito, muito, mas muito mesmo chocolate (que o diga as duas sobremesas Cake Ice Cream na Cremeria ontem)
- Excesso de carência - achando que meus amigos não gostam mais de mim, já que eu não tenho o tal do namorado pra fazer isso
- Tendência transbordante de hormônios - juro que eles gritam
- Desejo excessivo de colo - mesmo não sabendo pedir
- Vontade maluca de chorar - chorando até com propagandas de eleição
- Tensão gritando dentro - vocês conseguem ouvir?
Excessos excessivos de mim mesma.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
culpada.
Eu sou culpada. Culpada por todos os momentos que me privei de passar com você. Culpada por não ter seus olhos pertinentes pesando na minha carne. Eu assumo, a culpa é minha. A culpa é minha por essa saudade gelada invadir meu sono. É minha a culpa pelas três únicas cartas de amor entre as páginas dos meus dias. Por não ver suas cores de mim no peito. Por não sentir seu cheiro inconfundível de 5 da manhã. Por não sentir o gosto inebriante de nuvem no céu da boca. A culpa é minha por ter te traído em portas de banheiro. A culpa é toda minha por ter te culpado dos meus pecados. Por ter te usado como desculpa-máscara pra pecar sem me confessar. Por ter te usado. Por ter te feito culpado. É minha, só minha. A culpa pelas palavras ferozes, pelas reprovações desmedidas, pelas sentenças contidas, pelos olhos fechados e calados. Pelas suas madrugadas acordado. Eu sou a responsável pela sua blusa desbotada quase sem cheiro de tanto lavada. Por você odiar tudo que me lembra você. Pelo gosto amargo do fel na sua garganta. Pelas juras, promessas e esconjúrios. Pelas maldições. Pelas tradições (e traições). Pelas pegadas na escada. Culpada por seu peito cheio não ter preenchido o meu vazio. Pelas suas ilusões. Pela boca seca.
Sou eu a culpada dessa culpa. Desse arrependimento. Dessa certeza.
É minha e só minha. E não é minha a culpa pela sua felicidade. Por toda a felicidade que um dia você quis me dar e que um dia vai ter. Eu não a mereço. Eu não te mereço. Sou réu confessa do seu penar. Eu sou culpada.
Sou eu a culpada dessa culpa. Desse arrependimento. Dessa certeza.
É minha e só minha. E não é minha a culpa pela sua felicidade. Por toda a felicidade que um dia você quis me dar e que um dia vai ter. Eu não a mereço. Eu não te mereço. Sou réu confessa do seu penar. Eu sou culpada.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Crença.
Há uma certa magia instrínseca nos dias. Quando tudo nasce, ali, no pós-caos da estrela, há pó de magia-vagalume-beleza. Em todos os acontecimentos, em todos os pedaços, por trás da barra da saia, embaixo das pernas, tá escondidinho. Na comunhão das formigas com o açúcar do bolo, dos olhos com a perdição do infinito, da minha mão com a sua, tem um toque de varinha de condão. Na eucaristia da vontade de ver com o medo de enxergar, da preguiça de andar com a benção do sol, ali, na sombra da varanda, eu sei que tem algo a mais. É a tradução dos seus pensamentos em palavras. É o reflexo dos meus olhos nos seus com maré de poesia. É tudo que de fantástico acontece quando eu vejo que o sol raiou com você do meu lado. É a certeza que eu tenho de que você abre todas as minhas portas. É a cólera diária que precede a nossa calmaria noturna. São os segredos de pé de ouvido. Eu não te escondo. Você me exibe. Com aquele sabor de orgulho que só as nossas palavras têm. Droga, esqueci o despertador ligado. Você não se importa em acordar e me ver. É isso que me faz acreditar em fé e energia. É o sublime ressonar de um miado de bichano do meu lado. É aquele poder que só você tem. É aquela delícia que só você guarda. É por isso que eu acredito em magia e duvido todos os dias de tristeza.
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
um.
Um novo. Uma ausência de olhar. Uma presença de pensamento. Um toque. Um cheiro. Uma dúvida.
Uma boca. Um sabor. Um gosto. Um tal de medo. Um beijar. Lamber um. Fechar os olhos. Um. Sentimento. Saudade. Uma. Vontade de congelar. Um momento. O...
Um carro, um banco, um público, uma sintonia. Uma sinfonia. Um dado, um fato, uma distância. Um destino que não sabe o que faz. Uma muita sapiência. Uma vez. Uma presa no eixo. Um levado pela estrada. Um nós dois. Um mês.
Uma boca. Um sabor. Um gosto. Um tal de medo. Um beijar. Lamber um. Fechar os olhos. Um. Sentimento. Saudade. Uma. Vontade de congelar. Um momento. O...
Um carro, um banco, um público, uma sintonia. Uma sinfonia. Um dado, um fato, uma distância. Um destino que não sabe o que faz. Uma muita sapiência. Uma vez. Uma presa no eixo. Um levado pela estrada. Um nós dois. Um mês.
Carajás.
Entre árvores, há passos leves que sussurram folhas.
O sol gera frio nas sombras.
São as folhas que sombreiam pelo sol.
E nada queima. E tudo flui.
As risadas são barulhentas no silêncio.
É o lirismo das tocas dos coelhos.
É a magia do contato. É não sentir fome de felicidade. É o que a terra nos instiga. É o cheiro do mato.
Na comunhão de todas as coisas com coisa alguma, brota o desejo de ver o tempo passar.
Talvez os três elementos de algumas florestas sejam as folhas, o conforto do sol e o mistério das sombras.
Nunca foi tão bom deitar no chão...
O sol gera frio nas sombras.
São as folhas que sombreiam pelo sol.
E nada queima. E tudo flui.
As risadas são barulhentas no silêncio.
É o lirismo das tocas dos coelhos.
É a magia do contato. É não sentir fome de felicidade. É o que a terra nos instiga. É o cheiro do mato.
Na comunhão de todas as coisas com coisa alguma, brota o desejo de ver o tempo passar.
Talvez os três elementos de algumas florestas sejam as folhas, o conforto do sol e o mistério das sombras.
Nunca foi tão bom deitar no chão...
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